Ordem para a alma: bendizei ao Senhor

"Bendize, ó minha alma ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.
É ele que perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as tuas enfermidades;
quem redime a tua vida da perdição e te coroa de benignidade e de misericórdia;
quem enche a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a águia.
O Senhor faz justiça e juízo a todos os oprimidos.
Fez notórios os seus caminhos a Moisés e os seus feitos, aos filhos de Israel.
Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade.
Não repreenderá perpetuamente, nem para sempre conservará a sua ira.
Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos retribuiu segundo as nossas iniquidades.
Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem.
Quanto está longe o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.
Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.
Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.
Porque o homem, são os seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce;
pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não se conhece mais.
Mas a misericórdia do Senhor é de eternidade a eternidade sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos."

Salmo 103:1-17

Revelação compreendida

"Naquele dia nada me perguntareis." João 16:23

Quando será "aquele dia"? Quando o Senhor que subiu ao céu fizer de nós um com o Pai. Naquele dia, seremos um com o Pai, como Jesus o é, e "naquele dia", diz Jesus, "nada me perguntareis". Enquanto a vida ressurreta de Jesus não se manifesta em nós, temos mil e uma perguntas a fazer-lhe; mas, quando chegamos ao ponto de confiança total na vida ressurreta de Jesus, que nos coloca em perfeito contato com o propósito de Deus, descobrimos que todas as perguntas cessam, e parece que não temos nada mais a perguntar. Você está vivendo essa vida agora? Se não, por que não passa a vivê-la?

Pode ainda haver um sem número de coisas obscuras ao nosso entendimento, mas elas não se interpõem entre nosso coração e Deus. "E naquele dia não me fareis pergunta alguma!" Não precisamos perguntar nada, pois estamos certos de que Deus resolverá tudo de acordo com sua vontade. João 14:1 passa a traduzir o verdadeiro estado do nosso coração, e aí cessam as perguntas.

Se alguma coisa é enigma para você e está-se interpondo entre você e Deus, não procure a explicação em seu intelecto, procure-a em sua disposição - ela é que está errada. Tão logo sua disposição concorde em submeter-se à vida de Jesus, o mistério se desfaz e você atinge aquele ponto em que não há distância entre o Pai e seu filho, porque o Senhor os fez um.
"... naquele dia nada me perguntareis."

Deus te abençoe.

Um tipo especial de amor

O Tribunal Supremo

"Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo. " 2 Coríntios 5:10

Paulo diz que todos nós compareceremos "perante o tribunal de Cristo". Se você aprender a viver na alva da luz de Cristo no presente, quando houver o julgamento você se deleitará com o trabalho que Deus operou em você. Mantenha-se firmemente voltado para o tribunal de Cristo; viva agora à luz do que mais sagrado você conhece. Uma atitude injusta em relação a outra pessoa acabará dominada pelo espírito do diabo, por mais santo que você seja. Basta uma decisão carnal, e a consequência é um inferno em seu coração. Traga-o para a luz imediatamente e ore: "Meu Deus, cometi esse erro". Se você não o fizer, seu coração se tornará insensível. O castigo imposto pelo pecado é arraigar o pecador mais e mais no pecado. Não é só Deus quem nos pune pelo pecado; o pecado instala-se em nós e cobra um alto salário. Não há esforço nem oração que nos capacite a parar de fazer certas coisas; e o castigo que o pecado nos impõe é, aos poucos, levar-nos a nos acostumarmos com ele a ponto de não mais reconhecê-lo como pecado. Nenhum poder, a não ser o influxo do Espírito Santo, pode alterar as consequências inerentes ao pecado.

"Se, porém, andarmos na luz como ele está na luz." Para muitos de nós, andar na luz significa que os outros andem de acordo com nosso padrão. Hoje em dia o farisaísmo mais mortífero não é a hipocrisia, mas uma inconsciente irrealidade.

Deus te abençoe.

Angústia é ganho

Ricardo Gondim

Nascemos entre a bigorna e o martelo. A noção de perigo nos acompanha pela vida e não demoramos perceber: somos mortais. De repente, damos conta: o oceano onde nadamos não tem porto. Sabedores do fim, cansados de nadar contra a maré, provamos um fel chamado angústia.

Não há como fugir, é o medo existencial que faz nascer a angústia. Dela vem o choro que nunca desengasga. A angústia é mãe de pequenos surtos depressivos – que jamais entristecem totalmente. Angústia dói em todas as línguas. E lateja feito dor de dente.

A vida não se deixa domesticar. Não há unguento que cure o sofrimento de existir. E depois de toda obra e toda aventura, sobra a única certeza: a guilhotina descerá no pescoço de todos.

Não se extirpa a angústia dos ossos, da pele, do coração. Não existe antídoto para sua peçonha. André Comte-Sponville afirmou que “somos fracos no mundo, e mortais na vida. Expostos a todos os medos. Um corpo para as feridas, ou para as doenças, uma alma para as mágoas, e ambos prometidos à morte somente… Ficaríamos angustiados por menos”.

A angústia nunca se deixa descobrir. É assintomática. Oxigênio algum resolve quando falta fôlego na alma. Inexistem saídas. Tudo termina em tragédia. Fernando Pessoa constatou sobrarem pratos na mesa. Era dia do seu aniversário e, triste, disse ser “sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio….”.

Todos vestirão luto um dia.

Pascal comparou o sentimento de angústia a homens acorrentados: “Todos condenados à morte, sendo todos os dias uns deles degolados à vista dos outros. Aqueles que restam veem sua própria condição naquela de seus semelhantes, e, olhando-se uns aos outros com dor e sem esperança, esperam sua vez”. No seu pessimismo, resta enlouquecer ou “ se divertir”. Numa equação shakespeariana: fuga ou loucura, eis a questão.

A modernidade tecnológica também se apropriou do jargão antigo:“Consumamos, consumamos, porque amanhã morreremos”. Nenhum país incorporou tanto essa ideia quanto os Estados Unidos. Lá virou o paraíso do consumo, a nova Roma para onde bárbaros desejam emigrar. Na América, rodam duas vezes mais automóveis per capita que o restante da humanidade. Gasta-se mais energia com ar condicionado que toda a produção energética da China. O desembolso com sapatos tênis fica em torno de doze bilhões de dólares. Mas, o consumismo desenfreado atual deixa as pessoas mais contentes ou felizes do que em 1954? Brinquedos caros ou baratos são impotentes para tirar a vontade de chorar.

Onde está a fonte da juventude eterna? A humanidade conseguiu adiar o dia fatídico. Os avanços da medicina se tornaram espantosos. Com o culto ao corpo, países ricos refizeram padrões estéticos. A beleza atual é bem diferente da medieval. A expectativa de vida aumentou mais nos últimos quarenta anos do que nos 4.000 anos precedentes. Cresceu de 53 anos – incluindo os países mais miseráveis – em 1960 para 67 anos em 2005. Uma criança nascida hoje viverá em média 122 mil horas ou 5,83 mil dias a mais do que uma, nascida há quatro décadas.

Um desdobramento negativo desses avanços é que as pessoas foram condenadas a passar mais tempo convivendo com a realidade. A longevidade também faz crescer a angústia.

O mesmo soluço que afligiu filósofos gregos e salmistas judaicos soluça hoje. Mudaram os rótulos. Continuam as fobias do passado. O avanço da psicologia e o progresso da espiritualidade não desmentem que viver é um perigo. A força da angústia resiste a comprimidos e todas as alquimias.

Não sobram muitas escolhas. Jogados ao mundo, resta-nos aprender a viver.

O judeu itinerante, Jesus de Nazaré, falou coisas agradáveis, sem, contudo, evitar as antipáticas. Sua mensagem convidou homens e mulheres a considerarem a vida como rara e imprescindível. Ao referir-se à verdade, ensinou a necessidade de enfrentar a realidade. Ele deixou as pessoas decidirem se queriam ou não lidar com a angústia. Não receitou fórmulas fáceis de como desatar os nós da alma. Seguidores e ouvintes deviam aprender a usar a força negativa da angústia em favor da felicidade. E não basta um estado transitório – estar alegre, feliz. A vida é um convite a ser.

Jesus acreditou que viver é somar pequenas decisões; é juntar experiências boas e más na construção do ser. Fiel à tradição do Eclesiastes, ele viu que só encontramos algum sentido mínimo de existir ao somarmos choros e risos, desejos e realizações, frustrações e sonhos.

Ninguém precisa exorcizar a angústia, que, assumida, gera sede de transcendência. A vida carece também de um lado sombrio para ser eterna. Além do mais, a angústia garantiu a sobrevivência da espécie. Só os angustiados buscam companhia. A angústia fez com que os primeiros seres humanos desejassem viver em sociedade. Ao notarem que eram frágeis e iguais no sofrimento, deram as mãos.

O grito que se ouviu no Calvário – Eli, Eli, lamá sabactini?, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” – tornou-se o grito de toda a humanidade. Os lábios de Cristo passaram a representar os negros que morreram em navios fétidos, as mulheres perseguidas na Inquisição, as crianças que se exauriram em trabalho escravo, os curdos que nunca tiveram pátria. O filho de Deus desentranhou a sua angústia, que ressoou pelos quatro cantos da terra, e passou a ser o grito de todos. Cravados com ele no madeiro da solidão, seguimos o seu exemplo e encaramos qualquer sina – Ele é autor e consumador da fé.

Soli Deo Gloria